Cinta Pélvica no APH: Um Divisor de Águas na Emergência!
- congressoinspire
- 22 de jul.
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Em situações de emergência médica, cada segundo conta. No atendimento pré-hospitalar (APH), a agilidade e a aplicação correta de recursos podem ser a diferença entre a vida e a morte. Um desses recursos, muitas vezes subestimado, mas de vital importância, é a cinta pélvica.
Este dispositivo simples atua como um verdadeiro divisor de águas no controle de sangramentos intern
os associados a fraturas pélvicas instáveis. A pelve é uma região extremamente vascularizada e, quando há uma fratura, a ruptura de vasos, tanto venosos quanto arteriais, pode levar a hemorragias massivas. Dada a natureza "fechada" da pelve, o sangramento pode ser difícil de conter, culminando em choque hipovolêmico e, tragicamente, em óbito.
Como a Cinta Pélvica Ajuda?
A aplicação correta da cinta pélvica oferece benefícios cruciais:
Redução do Espaço Pélvico Interno: Ao comprimir a pelve, a cinta ajuda a reduzir o volume do espaço interno, limitando a expansão do hematoma e, consequentemente, a hemorragia.
Estabilização da Fratura: Impede a movimentação dos ossos fraturados, prevenindo lesões internas adicionais em vasos e órgãos.
Ganho de Tempo Precioso: A estabilização inicial com a cinta pélvica permite um controle temporário do sangramento, concedendo um tempo vital para o transporte do paciente e a realização do controle cirúrgico definitivo no ambiente hospitalar.
Guia de Aplicação: Onde e Como Usar
A eficácia da cinta pélvica depende diretamente de sua aplicação correta:
Posicionamento: A cinta deve ser posicionada precisamente na altura dos trocânteres femorais (as saliências ósseas na parte superior do fêmur). É crucial nunca posicioná-la na altura abdominal, pois isso não trará a estabilização necessária e pode até causar mais danos.
Apertar até a Estabilidade: O ajuste deve ser firme, garantindo uma compressão que estabilize a pelve, mas sem comprometer a circulação distal.
Não Remover! Uma vez aplicada, a cinta pélvica não deve ser removida no local do trauma ou durante o transporte. Sua remoção deve ser realizada apenas em ambiente hospitalar, após avaliação médica adequada e controle definitivo da lesão.
Quando Usar: Sinais e Indícios
A indicação para o uso da cinta pélvica deve ser rápida e assertiva. Considere sua aplicação em casos de:
Trauma de Alta Energia: Acidentes automobilísticos graves, quedas de altura ou atropelamentos, onde há alta suspeita de fratura pélvica instável.
Dor Intensa na Pelve: Dor localizada e severa na região pélvica.
Instabilidade à Palpação: Sensação de crepitação ou mobilidade anormal ao palpar a pelve.
Choque Hipovolêmico sem Causa Aparente: Se o paciente apresenta sinais de choque (taquicardia, hipotensão, pele fria e pegajosa) e não há outra fonte óbvia de sangramento externo.
Pacientes Inconscientes após Trauma Grave: Nestes casos, a suspeita de fratura pélvica deve ser alta, e a aplicação da cinta pélvica pode ser profilática.
A cinta pélvica é um exemplo claro de como a simplicidade de um recurso pode impactar grandemente o prognóstico de pacientes traumatizados. Sua correta utilização no APH é um testemunho da importância do conhecimento e da habilidade dos profissionais de emergência em salvar vidas.


Imagem adaptada de: PHTLS: Prehospital Trauma Life Support, 10ª Edição, NAEMT.




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