VERTIGEM NO PS - Central ou Periférica?
- congressoinspire
- 29 de jul.
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Atualizado: 29 de jul.
A vertigem é um dos sintomas mais desafiadores e, ao mesmo tempo, intrigantes que chegam ao pronto-socorro. Frequentemente descrita como uma "tontura" ou a sensação rotatória de que o ambiente está girando, ela exige do médico uma abordagem precisa e rápida. O grande xis da questão? Diferenciar se a origem é central ou periférica. Uma distinção crucial que pode definir o prognóstico do paciente.
O Que Está em Jogo: Central ou Periférica? 🤔
Vamos clarear essa distinção fundamental:
Vertigem Periférica: Pense no seu ouvido interno. É aqui que o sistema vestibular periférico, responsável pelo nosso equilíbrio, reside. Quando há um distúrbio nessa área – como na labirintite ou na VPPB – a vertigem se manifesta. Geralmente, é mais intensa, mas benigna.
Vertigem Central: Agora, a atenção se volta para o sistema nervoso central, principalmente a fossa posterior do cérebro. Condições como AVC, tumores ou esclerose múltipla podem causar vertigem de origem central. A gravidade aqui é maior, e a investigação deve ser minuciosa.
Avaliando na Emergência: Seu Guia Rápido 🩺💨
A chave para um diagnóstico eficaz reside em uma anamnese detalhada e um exame físico direcionado.
👂 Anamnese: A Escuta Atenta Salva Vidas
Não subestime o poder de uma boa conversa com o paciente. Pergunte ativamente sobre:
Início e Duração: A vertigem começou de repente? Dura segundos, minutos ou horas? É contínua ou intermitente?
Características: É uma sensação de rotação, desequilíbrio, pré-síncope?
Fatores Desencadeantes: Mudanças posturais desencadeiam a tontura? Certos movimentos da cabeça?
Sintomas Associados: Há zumbido, perda auditiva, plenitude auricular?
⚠️ Atenção aos Red Flags! Estes são os sinais de alarme que indicam uma possível origem central e exigem investigação imediata:
Déficit Focal: Fraqueza em um lado do corpo, alterações na fala ou na visão.
Alteração de Marcha: Dificuldade para andar, instabilidade.
Cefaleia de Início Súbito e Intensa: Especialmente se for a "pior dor de cabeça da vida".
Paresia ou Parestesia: Formigamento ou diminuição da força.
Crise Convulsiva: Um claro sinal de disfunção neurológica.
Os 4Ds da Fossa Posterior: Diplopia (visão dupla), Disfagia (dificuldade para engolir), Dismetria (erro na coordenação dos movimentos) ou Disartria (dificuldade para articular as palavras).
Exame Físico:
Após a anamnese, o exame físico neurológico é seu melhor amigo.
Nistagmo: Observe a presença de movimentos oculares rítmicos e involuntários (nistagmo) – seja ele espontâneo ou provocado pelo olhar. Se presente, aplique o famoso teste HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew), uma ferramenta poderosa para diferenciar vertigem central de periférica na fase aguda.
Função Cerebelar: Teste a coordenação e o equilíbrio do paciente.
Marcha: Peça para o paciente andar em linha reta, observar desvios.
Teste Dedo-Nariz: Avalia a precisão dos movimentos.
Teste de Romberg: Avalia o equilíbrio com os olhos abertos e fechados.
Abordagem Prática no PS: Decisões Rápidas e Precisas 🚀
Com base na sua avaliação, as próximas etapas se tornam mais claras:
🚨 Se há Red Flags ou Alteração no Exame Físico: Não hesite! Solicite uma angiotomografia de crânio (AngioTC) ou, se disponível e o quadro clínico permitir, uma ressonância magnética (RM) para aprofundar a investigação de uma possível causa central.
🧘♀️ Se o Paciente Sem Sinais de Alarme, com Vertigem Intermitente e Fator Desencadeante: Pense na Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB). Nesses casos, manobras de reposicionamento, como a Manobra de Epley, podem ser curativas e evitar investigações desnecessárias.
Lembre-se: a vertigem é um sintoma, não um diagnóstico. Sua capacidade de interpretá-la corretamente no ambiente de emergência faz toda a diferença para o desfecho do paciente.




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