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Tudo que você precisa saber sobre o TRANSAMIN

No cenário dinâmico da emergência, o controle eficaz de hemorragias representa um pilar fundamental para a sobrevida do paciente e a otimização de desfechos clínicos. Entre as diversas ferramentas farmacológicas disponíveis, o ácido tranexâmico (TXA) destaca-se como um agente antifibrinolítico com aplicações crescentes, especialmente em contextos de trauma e sangramento agudo.


▪️ Mecanismo de Ação e Indicações Clínicas


O ácido tranexâmico atua como um potente inibidor competitivo da ativação do plasminogênio em plasmina. Ao bloquear a ligação do plasminogênio e da plasmina à fibrina, o TXA preserva a estabilidade dos coágulos sanguíneos, prevenindo sua lise prematura e, consequentemente, reduzindo o sangramento. Essa ação antifibrinolítica o torna inestimável no manejo de diversas condições.

Suas principais indicações abrangem o controle e a prevenção de hemorragias em uma variedade de cenários, incluindo:

  • Cirurgias: Redução de perdas sanguíneas em procedimentos cirúrgicos de grande porte.

  • Traumatismos: Crucial no manejo de pacientes com trauma grave e hemorragia significativa. Estudos como o CRASH-2 trial demonstraram uma redução significativa da mortalidade por todas as causas em pacientes traumatizados com sangramento ou risco de sangramento quando o TXA foi administrado nas primeiras três horas após a lesão. 📊

  • Doenças com tendência a sangramento: Condições como menorragia, epistaxe (embora o uso em epistaxe seja mais controverso devido à variabilidade das evidências), e pós-parto.

  • Angioedema Hereditário: Para pacientes com angioedema hereditário, o TXA na forma de comprimido tem demonstrado eficácia na redução da frequência e severidade das crises, evidenciando sua versatilidade para além do contexto hemorrágico agudo.


▪️ Contraindicações e Precauções


Apesar de seu perfil de segurança favorável, o uso de TXA não é isento de contraindicações. É imperativo que os profissionais de saúde avaliem cuidadosamente o risco-benefício, especialmente em pacientes com histórico ou predisposição a eventos tromboembólicos. As principais contraindicações incluem:

  • Doenças tromboembólicas ativas: Trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar (EP) e outras condições que aumentam a coagulação.

  • Infarto e isquemias: Condições que podem ser agravadas por um estado de hipercoagulabilidade.

  • Gravidez e amamentação: O uso deve ser criteriosamente avaliado e somente sob orientação médica.

  • Hipersensibilidade: Alergia conhecida a qualquer componente da fórmula.

É importante ressaltar que, em casos de epistaxe, a eficácia do TXA ainda é tema de debate na literatura, com evidências inconsistentes que justificam seu uso rotineiro.


Administração na Emergência: A Janela de Ouro ⏰


Para maximizar o benefício terapêutico do TXA em situações de emergência, a rapidez na administração é crucial. Estudos de grande escala, como o CRASH-2 e, mais recentemente, o CRASH-3 trial (focado em trauma cranioencefálico), reforçam a importância da administração precoce. O maior benefício é observado quando o medicamento é administrado nas primeiras 3 horas após o evento hemorrágico.

O esquema de dosagem típico na emergência é:

  • Dose de ataque: 1 grama (g) por via intravenosa (EV) infundido em 10 minutos.

  • Dose de manutenção: 1 grama (g) por via intravenosa (EV) infundido ao longo de 8 horas.


‼️Reações Adversas


As reações adversas ao TXA são geralmente leves e transitórias. As mais comuns incluem distúrbios gastrointestinais como náuseas, vômitos, dor epigástrica e diarreia. Reações cutâneas alérgicas são incomuns, e eventos mais raros, porém graves, como tontura, cefaleia, visão turva, hipotensão e tromboembolismo, devem ser monitorados.


REFERÊNCIAS:

  • CRASH-2 trial: Shakur H, Roberts I, Bautista R, et al. Effects of tranexamic acid on death, vascular occlusive events, and blood transfusion in trauma patients with significant haemorrhage (CRASH-2): a randomised, placebo-controlled trial. Lancet. 2010;376(9734):23-32. DOI: 10.1016/S0140-6736(10)60835-5.

  • CRASH-3 trial: CRASH-3 trial collaborators. Effects of tranexamic acid on death, disability, vascular occlusive events and other morbidities in patients with acute traumatic brain injury (CRASH-3): a randomised, placebo-controlled trial. Lancet. 2019;394(10212):1713-1723. DOI: 10.1016/S0140-6736(19)32233-0.



 
 
 

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